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Destaques

No fundo

 Por favor, me leve Céu negro, de estrelas brilhantes Me leve pra longe daqui Correnteza, dessa ilha decadente. Eu só não quero mais sentir minha mente Eu quero um lençol cobrindo meu rosto. Eu sinto a terra sendo jogada sob todo meu corpo Eu fecho meus olhos E imagino quão bom seria ser enterrada agora Para apenas florescer. Não quero mais dor Não quero me jogar, me perfurar e sofrer  Eu só quero o silêncio da noite. Eu quero sentir o céu e a água ao meu redor Quero parar de respirar e saber que posso estar em paz. Enquanto as lágrimas caem, eu me mexo em desespero Os fones cantam uma música alta pra tentar silenciar esse exagero Enquanto eu quero sumir, eu tenho uma mínima esperança  De poder sair desse quarto escuro Enxergar a manhã e as plantas com vida, longe do luto E sentir que eu também mereço e quero essa vida. Se vier uma mão buscar pela minha nesse poço Eu poderei ser levantada ... Talvez eu possa enxergar  O sol Apesar de tudo ...

"Pertencimento"

 

"Cá estou eu

Deitada nesse cadafalso

Inscrustado de inscrições nefastas

Proclamando as frases de um personagem

Afastado de intenções vulgares

Dono de uma sorte simpática

Criador de um poema rebuscado

Digno de ser dito com o maior ardor

Digno de ser repetido por um espírito diferente

Que se uniu não por semelhança de vontade esnobe

Mas por divergência de olhar pra vida.


Cá estou eu

Admirando as correspondências enviadas

De um soldado prestes a morrer

Pra sua amada, que esperava em casa

Com um lindo buquê de lírios na mão

E o vestido rendado preparado para a ocasião 

Do matrimônio, que não foi realizado.


Cá estou eu, preparada

Para enfrentar o que sei de antemão

Os estudantes cantarolam suas ideias de beleza

Os professores ensinam o que sabem de certeza

Os pais choram de admiração 

Ao ver a emoção dos filhos a atuar

Na brilhante peça que os resguarda do futuro

Os livra de si, e mata a liberdade da alma.


Aonde estarei eu

Se um dia

Os sonhadores pararem de sonhar

Os indecisos pararem de escrever

Os quietos pararem de desenhar

Aonde estarei eu

E meu deleite de pertencimento

Senão numa jaula sozinha

Lamentando a imensidão que foi perdida

Substituída por palavras vazias 

Ditas por gerações doloridas e recheadas de remorso

Pelos que não puderam parar e sentir

Nunca; nem por um instante

Isso que nos une, por toda a eternidade."


Escrito em 25/03/2023

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